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Partes Engraçadas - Ordem da Fênix

PARTES ENGRAÇADAS

 

 

— É... é, uma boa pergunta, Petúnia. Que é que você estava fazendo embaixo da nossa janela, moleque?

— Ouvindo o noticiário — respondeu Harry, conformado. O tio e a tia trocaram olhares indignados.

— Ouvindo o noticiário! De novo?

— Bom, é que ele muda todos os dias, entende? — respondeu o garoto.

 

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— Ei, Dudão! Duda se virou.

— Ah — resmungou. — É você.

— Então, há quanto tempo você é o Dudão? — perguntou Harry.

— Não chateia — rosnou o primo dando-lhe as costas.

— Nome legal — comentou Harry, rindo e acompanhando o passo do primo.

— Mas para mim você sempre será o Dudiquinho.

 

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— Já falei, NÃO CHATEIA! — repetiu Duda, cujas mãos, que mais pareciam presuntos, tinham se fechado.

— Os garotos não sabem que é assim que a mamãe te chama?

— Cala essa boca.

— Você não diz a ela para calar a boca. Então posso usar "Fofinho" e "Duduzinho"?

 

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— Então quem é que vocês andaram espancando esta noite? — indagou Harry, parando de sorrir. — Outro garoto de dez anos? Sei que acertaram o Marco Evans anteontem...

— Ele estava pedindo — rosnou Duda.

— Ah, é?

— Ele me desacatou.

— Ah, foi? Disse que você parecia um porco que aprendeu a andar nas patas traseiras? Porque isso não é desacatar, Duda, isso é verdade.

  

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— Como assim, não sou valente quando estou deitado? — perguntou Harry inteiramente pasmo. — Do que é que você acha que tenho medo, dos travesseiros ou de outra coisa assim?

 

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— Vou lhe mostrar a vigilância secreta! — exclamou a Sra. Figg. — Dementadores, seu ladrãozinho imprestável e golpista!

— Dementadores? — repetiu Mundungo, horrorizado. — Dementadores, aqui?

— Aqui, seu monte inútil de bosta de morcego, aqui! — gritou ela. — Dementadores atacando o garoto no seu turno de serviço!

 

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Muito consciente de que todos continuavam de olhos fixos nele, Harry desceu as escadas, guardando a varinha no bolso traseiro das jeans enquanto descia.

— Não guarde a varinha aí, garoto! — berrou Moody. — E se pegar fogo?

Bruxos mais sabidos que você já perderam as nádegas, sabe!

 

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— Excelente — exclamou ao ver Tonks e Harry entrarem. — Temos mais ou menos um minuto, acho. Talvez fosse bom irmos para o jardim e aguardarmos prontos. Harry, deixei uma carta avisando aos seus tios para não se preocuparem...

— Eles não vão se preocupar — respondeu Harry.

— ... que você não corre perigo...

— Assim eles vão ficar deprimidos.

— ... e que você os verá no próximo verão.

- Preciso?

 

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— Quem é Monstro? — perguntou.

— O elfo doméstico que mora aqui — respondeu Rony. — Doido de pedra. Nunca conheci nenhum igual.

Hermione franziu a testa.

— Ele não é doido de pedra, Rony.

— A ambição da vida dele é ter a cabeça cortada e montada em uma placa como fizeram com a mãe dele — argumentou Rony irritado. — Isso é normal, Mione?

— Bem... bem,

 

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— Estão tentando desacreditá-lo — explicou Lupin. — Você não viu o Profeta Diário da semana passada? Noticiaram que a Confederação Internacional de

Bruxos votou a dispensa dele da diretoria porque está ficando velho e incapaz, mas não é verdade; votaram a favor da dispensa dele os bruxos funcionários

do Ministério depois que ele fez um discurso anunciando o retorno de Voldemort. Ele perdeu o cargo de bruxo-presidente da Suprema Corte dos

Bruxos, e estão falando em cassar sua comenda de primeira classe da Ordem de Merlim.

— Mas Dumbledore diz que não se importa com o que estão fazendo, desde que não tirem o seu retrato do baralho de sapos de chocolate — disse Gui rindo.

 

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— ... volta de Azkaban dando ordens a Monstro, ah, minha pobre senhora, que diria se visse a casa agora, habitada por uma ralé, tesouros atirados no lixo, minha senhora jurou que ele não era mais seu filho, mas ele voltou, dizem que também é assassino...

— Continue a resmungar e vou virar mesmo assassino! — disse Sirius irritado, batendo a porta na cara do elfo.

 

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— É... o quê?

— Rony é o monitor e não eu — explicou Harry

— Rony? — admirou-se Hermione, de queixo caído. — Mas... você tem certeza? Quero dizer...

A garota ficou muito vermelha quando Rony se virou para ela com uma expressão de desafio no rosto.

— É o meu nome que está na carta.

— Eu... — começou Hermione totalmente perplexa. — Eu... bem... uau! Parabéns, Rony. É realmente...

— Inesperado — concluiu Jorge, confirmando com a cabeça.

 

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A Sra. Weasley soltou um grito agudo igual ao de Hermione.

— Eu não acredito! Eu não acredito! Ah, Rony, que maravilha! Monitor! Como todos na família!

— Que é que Fred e eu somos, filhos do vizinho? — perguntou Jorge indignado, enquanto a mãe o empurrava para o lado e abria os braços para apertar o filho mais novo.

 

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— Combinar com o quê? — perguntou a Sra. Weasley, distraída, enrolando um par de meias castanho-avermelhadas e depositando-as na pilha de Rony.

— O distintivo dele — repetiu Fred, com ar de quem quer acabar depressa com a pior parte. — O novo, belo e reluzente distintivo de monitor dele.

 

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— Você não se incomoda se a gente não beijar você, não é, Rony? — perguntou Fred, num tom de fingida ansiedade.

— Podemos fazer uma reverência, se você quiser — sugeriu Jorge.

— Ah, calem a boca — disse Rony, amarrando a cara para os irmãos.

— Se não? — disse Fred, com um sorriso maligno se espalhando pelo rosto. —Vai nos tascar uma detenção?

— Eu adoraria que ele tentasse — debochou Jorge.

— E ele pode, se vocês não se cuidarem! — disse Hermione aborrecida.

Os gêmeos caíram na gargalhada, e Rony murmurou:

— Deixa pra lá, Mione.

— Vamos ter de tomar cuidado com o que fizermos, Jorge — disse Fred, fingindo tremer —, com esses dois atrás da gente...

— É, parece que os nossos dias de desrespeito à lei finalmente terminaram — disse Jorge, sacudindo a cabeça.

 

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— Ah — exclamou Fudge, que parecia completamente desconcertado. — Dumbledore. Então, você... hum... recebeu a nossa... mensagem que a hora e... local da audiência foram mudados?

— Não chegou a tempo — respondeu Dumbledore animado. — Porém, graças a um feliz engano cheguei ao Ministério três horas mais cedo, por isso não houve prejuízo.

— Ah... bem... suponho que iremos precisar de mais uma cadeira... eu... Weasley, será que você poderia...?

— Não se preocupe, não se preocupe — disse Dumbledore gentilmente; puxou então a varinha, fez um breve aceno, e uma confortável poltrona de chintz apareceu ao lado de Harry. Dumbledore se sentou, juntou as pontas dos longos dedos e ficou olhando Fudge por cima deles com uma expressão de educado interesse.

 

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Quando Sirius tirou à força da mão dele um grande anel de ouro com o brasão dos Black, Monstro chegou a debulhar-se num choro furioso e abandonou a sala soluçando baixinho e xingando Sirius de nomes que Harry nunca ouvira.

— Pertenceu ao meu pai — disse Sirius atirando o anel no saco. — Monstro não era tão dedicado a ele quanto à minha mãe, mas ainda assim eu o apanhei abraçando uma calça velha do meu pai na semana passada.

 

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— Está tudo bem — disse uma voz sonhadora ao lado de Harry, quando Rony desapareceu no interior escuro da carruagem. — Você não está ficando maluco nem nada. Eu também vejo.

— Vê? — exclamou desesperado, virando-se para Luna. Ele via os cavalos de asas de morcegos refletidos nos grandes olhos prateados da garota.

— Ah, vejo. Sempre os vi desde o meu primeiro dia de escola. Eles sempre puxaram as carruagens. Não se preocupe. Você é tão normal quanto eu.

 

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— Você não escutou com atenção o discurso de Dolores Umbridge no banquete de abertura do ano letivo, Potter?

— Escutei, sim. Eu a escutei... dizer... o progresso será proibido ou... bem, queria dizer que... o Ministério da Magia está tentando interferir em Hogwarts.

A Profª McGonagall mirou-o por um momento, depois fungou, contornou a escrivaninha e segurou a porta aberta para ele.

— Bem, fico contente que pelo menos você escute a Hermione Granger — disse, mandando-o sair com um gesto.

 

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— Olhem só hoje! — gemeu Rony. — História da Magia, dois tempos de Poções, Adivinhação e dois tempos de Defesa Contra as Artes das Trevas...

Binns, Snape, Trelawney e a tal Umbridge, tudo no mesmo dia! Gostaria que Fred e Jorge trabalhassem mais rápido para aprontar aqueles kits Mata-Aulas...

 

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Harry ergueu os olhos para Rony.

— Então — disse, tentando dar a impressão de que achava a coisa toda uma piada. — Se você quiser... hum... como é mesmo? — Ele consultou a carta de

Percy. — Ah, sim... cortar os vínculos comigo, juro que não serei violento.

— Me dá isso aqui — disse Rony, estendendo a mão. — Ele é — disse Rony gaguejando e rasgando a carta de Percy ao meio — a maior — e rasgou-a em quartos — anta — e mais uma vez em oitavos — do mundo.

 

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— Bom, uma noite dessas eu sonhei que estava jogando quadribol — disse Rony, contraindo o rosto num esforço para se lembrar. — Que é que você acha

que isso significa?

— Provavelmente que você vai ser devorado por um marshmallow gigante ou outra coisa assim — disse Harry, folheando as páginas do Oráculo dos sonhos, sem interesse.

 

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— O.k., escreva aí — disse Hermione a Rony, empurrando-lhe o trabalho e uma folha escrita com sua letra —, e depois acrescente a conclusão que fiz.

— Hermione, sinceramente, você é a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci — disse Rony com a voz fraca —, e se eu tornar a ser grosseiro com você... — Saberei que você voltou ao normal — completou ela. —

 

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— Os gorros desapareceram. Parece que os elfos domésticos afinal querem ser liberados.

— Eu não confiaria nisso — disse Rony, em tom cortante. — Talvez não contem os gorros como roupas. Eu não achei que parecessem gorros, pareciam mais bexigas de lã.

 

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— Mas você também ganharia uns enormes furúnculos cheios de pus — explicou Jorge —, e ainda não descobrimos como nos livrar deles.

— Não estou vendo nenhum furúnculo — disse Rony olhando bem para os gêmeos.

— Não, bem, você não veria — disse Fred sinistramente —, eles não saem em lugares que a gente normalmente expõe ao público.

 

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— Você está tentando fugir do compromisso de nos mostrar tudo isso? — perguntou Zacarias.

— Tenho uma idéia — disse Rony em voz alta, antes que Harry pudesse falar —, por que você não cala a boca?

— Ora, todos viemos para aprender com Harry, e agora ele está dizendo que, no duro, não sabe fazer nada disso.

— Não foi isso que ele disse — reagiu Fred.

— Quer que a gente limpe seus ouvidos para você? — perguntou Jorge, tirando um longo instrumento metálico de aspecto letal, de dentro de uma das sacas da Zonko's.

— Ou enfie isso em qualquer outra parte do seu corpo, para falar a verdade, não somos muito luxentos — acrescentou Fred.

 

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— E aí? – perguntou Rony finalmente, encarando Harry. – Como foi?

Harry refletiu por um momento.

— Úmido – disse com sinceridade.

Rony emitiu um som que poderia indicar alegria ou nojo, era difícil dizer.

— Porque ela estava chorando – continuou Harry pesaroso.

— Ah – exclamou Rony, o sorriso se atenuando em seu rosto. – Você é ruim assim de beijo?

— Não sei – respondeu Harry, que não havia pensado na possibilidade, e se sentiu imediatamente preocupado. – Vai ver sou.

— Claro que não é – disse Hermione distraída, ainda escrevendo a carta.

— Como é que você sabe? – perguntou Rony rispidamente.

— Porque ultimamente Cho passa metade do tempo chorando – respondeu distraidamente. – Chora na hora da comida, no banheiro, por toda parte.

— Mas era de esperar que uns beijinhos a animassem – disse Rony sorrindo.

— Rony – disse Hermione em tom muito solene, molhando a ponta da pena no tinteiro –, você é o legume mais insensível que já tive a infelicidade de conhecer.

 

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- ...E provavelmente não consegue entender seus sentimentos com relação a Harry, porque era ele quem estava junto quando Cedrico morreu, então tudo isso é muito confuso e doloroso. Ah, e está com medo de ser expulsa do time de quadribol da Corvinal porque está voando muito mal.

 

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O fim de sua fala foi recebido com um silêncio de breve aturdimento, então Rony falou:

— Uma pessoa não pode sentir tudo isso ao mesmo tempo, explodiria. — Só porque você tem a amplitude emocional de uma colher de chá isto não significa que sejamos todos iguais — disse Hermione maldosamente, retomando sua pena.

 

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— Rony já defendeu algum gol? – perguntou Hermione, espiando por cima de Hieróglifos e logogramas mágicos.

— Bom, ele é capaz de defender quando acha que não tem ninguém observando – disse Fred olhando para o teto. – Então no sábado só o que a gente precisa fazer é pedir aos espectadores para virarem as costas e baterem um papo todas as vezes que a goles for arremessada para o lado dele.

 

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— Mas, naturalmente – disse baixando a pena e fuzilando Hermione com o olhar —, a Srta. Perfeição não iria querer ver essa história divulgada, não?

— Na verdade — disse Hermione com meiguice —, é exatamente o que a Srta. Perfeição deseja.

Rita arregalou os olhos para Hermione. E Harry também. Luna, por outro lado, cantarolou baixinho como se sonhasse "Weasley é nosso rei", e mexeu sua bebida com uma cebola de coquetel na ponta de um palito.

 

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Eles foram andando pelo corredor, passaram por portas duplas e descobriram uma escada desconjuntada ladeada de mais retratos de Curandeiros de cara cruel. Quando subiam, os vários Curandeiros chamaram os garotos, diagnosticando males estranhos e sugerindo remédios horríveis. Rony ficou seriamente ofendido quando um bruxo medieval gritou que ele tinha um caso grave de sarapintose.

— E o que é isso? — perguntou ele, zangado, enquanto o Curandeiro o perseguia por mais seis quadros, empurrando os ocupantes para o lado.

— É uma doença gravíssima da pele, jovem senhor, que vai deixá-lo marcado de bexigas e ainda mais horrendo do que já é...

— Olha só quem está falando! — exclamou Rony com as orelhas ficando vermelhas.

— ... o único remédio é tirar o fígado de um sapo, atá-lo firmemente ao seu

pescoço, e na lua cheia o jovem senhor fica nu em uma barrica de olhos de enguia...

— Eu não tenho sarapintose!

— Mas as feias marcas em seu rosto, jovem senhor...

— São sardas! – disse Rony furioso. – Agora volte para o seu quadro e me deixe em paz! – Ele se virou para os outros, que estavam decididos a se manter impassíveis.

 

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— Hum... muito obrigado, Ernesto — disse Harry, surpreso mas satisfeito.

Ernesto podia ser pomposo em ocasiões como aquela, mas Harry estava disposto a apreciar profundamente um voto de confiança de alguém que não usava rabanetes pendurados nas orelhas.

 

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— Então você vai se rebaixar ao nível dele?

— Não, só vou garantir que apanho os amigos dele antes que ele apanhe os meus.

— Pelo amor de Deus, Rony...

— Vou fazer Goyle escrever cem vezes a mesma frase, ele vai morrer, odeia

escrever — disse Rony alegremente. E baixando a voz para imitar os

grunhidos de Goyle, contraiu o rosto fingindo dolorosa concentração e escreveu no ar. — "Eu... não... devo... ter... cara... de... bunda... de macaco."

 

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— Bom, sempre achamos que íamos ser reprovados nesse — comentou Rony sombriamente ao subirem a escadaria de mármore. Ele acabara de fazer Harry se sentir bem melhor contando em detalhe que dissera ao seu examinador estar vendo um homem feio com uma verruga no nariz em sua bola de cristal, e quando ergueu os olhos percebeu que estava apenas descrevendo o reflexo do examinador.

 

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— É... mesmo que vocês só falem um pouco com ele – disse Hagrid esperançoso. – Porque calculo que, se ele puder falar com gente, vai compreender melhor que todos gostamos dele realmente, e queremos que fique.

Harry se virou para Hermione, que o espiou por entre os dedos que cobriam seu rosto.

— Até faz a gente desejar que tivesse o Norberto de volta, não? – comentou Harry, e Hermione deu uma risada vacilante.

 

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— É, o Montague tentou nos prejudicar durante o intervalo – contou Jorge.

— Como assim "tentou"? – perguntou Rony na mesma hora.

— Ele não chegou a enunciar todas as palavras – disse Fred –, nós o empurramos de cabeça no Armário Sumidouro do primeiro andar.

Hermione pareceu muito chocada.

— Mas vocês vão se meter numa confusão horrível!

— Não até o Montague reaparecer, e isso pode levar semanas, não sei aonde o mandamos – disse Fred descontraído. – Em todo o caso... decidimos que não vamos mais ligar se nos metemos ou não em confusão.

— E algum dia vocês ligaram? – indagou Hermione.

— Mas é claro – protestou Jorge. – Nunca fomos expulsos, não é?

— Sempre soubemos onde parar — acrescentou Fred.

— Às vezes ultrapassávamos um dedinho – disse Jorge.

— Mas sempre paramos em tempo de evitar um caos total – completou Fred.

— Mas e agora? — perguntou Rony hesitante.

— Bom, agora... – começou Jorge.

— ... com a partida de Dumbledore – continuou Fred.

— ... concluímos que um certo caos... — disse Jorge.

— ... é exatamente o que a nossa querida diretora merece – disse Fred.

 

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Filch e Umbridge estavam parados no meio da escada, parecendo pregados no chão. Enquanto Harry assistia, uma das rodas maiores pareceu decidir que precisava de mais espaço para manobrar: saiu rodando em direção a Umbridge e Filch com um ruído sinistro. Os dois berraram de susto e se abaixaram, e a roda voou direto pela janela às costas deles e atravessou os terrenos da escola.

 

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— Falou — sussurrou Jorge, enxugando as lágrimas de riso do rosto. — Ah, espero que ela experimente agora fazê-los desaparecer... eles se multiplicam por dez todas as vezes que alguém tenta.

Os fogos continuaram a queimar e a se espalhar pela escola toda durante a tarde. Embora causassem muitos estragos, particularmente os rojões, os outros professores não pareceram se importar muito com isso.

— Ai, ai — exclamou a Profª McGonagall ironicamente, quando um dos dragões entrou voando em sua sala, emitindo fortes ruídos e soltando chamas.

— Srta. Brown, se importa de procurar a diretora para informá-la que temos um dragão errante em nossa sala?

O resultado de tudo isso foi que a Profª Umbridge passou sua primeira tarde como diretora correndo pela escola para atender aos chamados dos professores, que não pareciam capazes de livrar suas salas dos fogos sem a sua ajuda. Quando a última sineta tocou e todos iam voltando à Torre da

Grifinória com suas mochilas, Harry viu, com imensa satisfação, uma Umbridge desarrumada e suja de fuligem saindo com passos vacilantes e o rosto suado da sala do Prof. Flitwick.

— Muito obrigado, professora! – disse Flitwick na sua vozinha esganiçada. —

Eu poderia ter me livrado dos fogos, é claro, mas não estava muito seguro se teria autoridade para tanto.

Sorrindo, ele fechou a porta da sala na cara da Umbridge, que parecia prestes a rosnar.

 

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Fred e Jorge foram heróis naquela noite na sala comunal da Grifinória. Até Hermione se esforçou para atravessar a aglomeração de colegas excitados e dar parabéns aos gêmeos.

— Foram fogos maravilhosos — disse com admiração.

— Obrigado — agradeceu Jorge, ao mesmo tempo surpreso e contente. — Fogos Espontâneos Weasley. O único problema é que gastamos todo o nosso estoque; agora vamos ter de recomeçar do zero.

— Mas valeu a pena – disse Fred, que anotava os pedidos dos colegas aos berros. — Se quiser acrescentar o seu nome à lista de espera, Hermione, custa cinco galeões uma caixa de Fogos Básicos e vinte uma Deflagração de Luxo...

 

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Harry ainda ouvia os estampidos distantes das bombas fugitivas quando ele e Rony foram se deitar uma hora mais tarde; e enquanto se despia passaram umas estrelinhas pela torre, ainda formando insistentemente a palavra "COCÔ".

 

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— Como foi o exame, Ranhoso? – perguntou Tiago.

— Eu vi, o nariz dele estava quase encostando no pergaminho — disse Sirius maldosamente. — Vai ter manchas enormes de gordura no exame todo, não vão poder ler nem uma palavra.

 

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— Muito bem, Argo. Vocês dois — continuou ela, olhando para Fred e Jorge —, vocês vão aprender o que acontece com malfeitores na minha escola.

— A senhora sabe de uma coisa? — disse Fred. — Acho que não vamos não.

Ele se virou para o irmão.

— Jorge, acho que já passamos da idade de receber educação em tempo integral.

— É, tenho sentido isso também – comentou Jorge alegremente.

— Está na hora de testarmos os nossos talentos no mundo real, você não acha?

— Decididamente.

E, antes que Umbridge dissesse uma palavra, eles ergueram as varinhas e falaram juntos:

Accio vassouras!

Harry ouviu um estrondo ao longe. Olhando para a esquerda, abaixou-se bem em tempo. As vassouras de Fred e Jorge, uma delas ainda arrastando a pesada corrente e o gancho de ferro com que Umbridge as pregara na parede, voaram velozes ao encontro dos seus donos; viraram à esquerda e pararam bruscamente diante dos gêmeos, a corrente batendo com estrépito no chão lajeado.

— Não a veremos mais — disse Fred à Profª Umbridge, passando a perna por cima da vassoura.

— É, e não precisa mandar notícias — disse Jorge, montando a própria vassoura.

Fred correu o olhar pelos estudantes reunidos, para a multidão que assistia silenciosa à cena.

— Se alguém tiver vontade de comprar um Pântano Portátil, conforme demonstramos lá em cima, pode nos procurar no beco Diagonal, número noventa e três: Gemialidades Weasley — disse em voz alta. — Nossas novas instalações.

— Descontos especiais para os alunos de Hogwarts que jurarem que vão usar os nossos produtos para se livrar dessa morcega velha — acrescentou Jorge, apontando para a Profª Umbridge.

— IMPEÇA-OS! — gritou Umbridge, mas tarde demais. Quando a Brigada

Inquisitorial se aproximou, Fred e Jorge deram impulso no chão e se projetaram quase cinco metros no ar, o gancho de ferro balançando perigosamente embaixo. Fred olhou para o poltergeist que flutuava do outro lado do saguão no mesmo nível que os gêmeos acima da multidão.

— Infernize ela por nós, Pirraça.

E Pirraça, que Harry nunca vira obedecer ordem de nenhum estudante antes, tirou o chapéu em forma de sino que usava e saudou os garotos, ao mesmo tempo que Fred e Jorge faziam a volta sob os aplausos dos estudantes e saíam em alta velocidade pelas portas de entrada abertas para um glorioso pôr-de-sol.

 

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Na verdade, uma semana depois de Fred e Jorge partirem, Harry viu a Profª McGonagall passar por Pirraça, que estava decidido a soltar um lustre

de cristal, e ele poderia jurar que a ouviu dizer ao poltergeist pelo canto da boca: "Desenrosca para o outro lado."

 

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— Você gostou da décima pergunta, Aluado? — perguntou Sirius quando saíram no saguão.

— Adorei — respondeu Lupin imediatamente. " Cite cinco sinais que identifiquem um lobisomem." Uma excelente pergunta.

— Você acha que conseguiu citar todos os sinais? — perguntou Tiago, caçoando com fingida preocupação.

— Acho que sim — respondeu Lupin sério, quando se reuniram aos alunos aglomerados às portas de entrada para chegar ao jardim ensolarado. — Primeiro: ele está sentado na minha cadeira. Dois: ele está usando minhas roupas. Três: o nome dele é Remo Lupin.

 

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(Harry e Rony, após o N. O. M de Adivinhação)

 

— Não devíamos ter nos matriculado nessa disciplina idiota, para começar - disse Harry.

— Mas pelo menos podemos desistir dela agora.

— É — apoiou Harry. — Não precisamos mais fingir que nos interessa o que acontece quando Júpiter e Urano ficam muito próximos.

— E de agora em diante não vou me incomodar se as minhas folhas de chá soletrarem morra, Rony, vou simplesmente jogá-las na lata do lixo, que é o lugar delas.

 

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— Se o senhor não deixar... se o senhor me prender aqui... se O senhor não me deixar...

— Perfeitamente, continue a destruir os meus pertences — disse Dumbledore serenamente. – Reconheço que os tenho em excesso.

 

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Na altura em que Ernesto Macmillan, Ana Abbott, Susana Bonés, Justino Finch-Fletchley, Antônio Goldstein e Terêncio Boot terminaram de usar a ampla variedade de feitiços e azarações que Harry lhes ensinara, Malfoy, Crabbe e Goyle pareciam simplesmente três lesmas gigantescas apertadas em uniformes de Hogwarts que Harry, Ernesto e Justino penduraram no porta-bagagem e deixaram ali para esvaziar.

— Devo dizer que estou doido para ver a cara da mãe de Malfoy quando ele descer do trem — disse Ernesto, satisfeito, observando Malfoy se contorcer no alto. O garoto nunca chegara a esquecer a indignidade cometida por Malfoy de tirar pontos da Lufa-Lufa durante o breve período em que fora membro da

Brigada Inquisitorial.

— Mas a mãe de Goyle vai ficar realmente satisfeita — disse Rony que viera investigar a origem do tumulto. — Ele está muito mais bonito agora...

 

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Tio Válter inchou agourentamente. Sua indignação pareceu ultrapassar até o seu medo de um bando de excêntricos.

— O senhor está me ameaçando? — disse em voz tão alta que alguns transeuntes chegaram a parar para olhar.

— Estou — confirmou Olho-Tonto, que parecia muito satisfeito de que tio Válter tivesse entendido tão rapidamente.

— E eu pareço o tipo de homem que se deixa intimidar? — vociferou ele.

— Bom... — disse Moody, afastando o chapéu-coco da testa para mostrar o olho mágico que girava sinistramente. Tio Válter saltou para trás horrorizado e colidiu dolorosamente com um carrinho de bagagem. — Eu teria de dizer que sim, Dursley.

 

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Como o Sr. Weasley demolira sozinho a maior parte da sala de estar dos Dursley, há dois anos, Harry teria se admirado muito se o tio o tivesse esquecido. De fato, o tio ficou um tom mais escuro de marrom arroxeado e olhou aborrecido para o Sr. Weasley, mas preferiu não dizer nada, em parte, talvez, porque os Dursley estivessem em minoria de dois por um. Tia Petúnia parecia ao mesmo tempo assustada e constrangida; não parava de olhar para os lados, como se estivesse aterrorizada que alguém a visse em tal companhia.

Nesse meio-tempo, Duda dava a impressão de querer parecer pequeno e insignificante, um feito em que estava tendo um fracasso retumbante.